Violência contra as mulheres em universidades

Sabemos o roteiro das histórias favoritas da vida universitária: novas amizades, disciplinas adoradas e odiadas, happy hours, movimentos estudantis. Mas há outras histórias sobre as quais precisamos falar urgentemente. São casos em que salas de aula e salas de casas, ruas de dentro e de fora dos campi se assemelham na apropriação patriarcal de corpos de mulheres. Nosso tema da semana é a violência contra mulheres em universidades.

Muitas estudantes são recebidas nas universidades com trotes humilhantes, ao som de baterias estudantis cantando que “não é estupro, é sexo surpresa”. Há meninas e mulheres que sofrem violência sexual cometida por colegas em festas e sobrevivem em silêncio por saber das chances de ouvir de autoridades, familiares ou amigos, “mas você bebeu demais”. Muitas desistem de frequentar certos espaços universitários. Outras tantas convivem com professores que fazem graça de estupro e violência em sala, tratam-nas com condescendência ou as assediam. Para muitas mulheres, a experiência universitária é menos sobre aprendizado, e mais sobre resistência.

A redação do último ENEM teve como tema a persistência da violência contra as mulheres no país. Houve quem reclamasse que o assunto não teria lugar na educação. Por aqui não temos dúvida: a hostilidade de universidades às mulheres demonstra o quanto a igualdade de gênero é tema indispensável ao exercício da cidadania e à garantia de direitos dentro e fora de universidades.





Violência contra mulheres em universidades: verdadeiro ou falso


 



Violência contra mulheres: quando a universidade ensina o medo


 



Pesquisa aponta: para combater violência, estudantes querem gênero na sala de aula


 



Cartazes


 

Violência contra mulheres em universidades: verdadeiro ou falso

As universidades são espaços seguros para as mulheres.

FALSO. As universidades não fogem aos padrões hegemônicos da socialização do gênero. Na educação superior, também se ensina que homens são agressivos e bons em matemática, e que mulheres são maternais e boas cuidadoras. Além disso, têm crescido os relatos de violência sexual em festas, trotes machistas e assédio sexual por professores. Não é por serem espaços de conhecimento que universidades garantem ambientes livres de violência contra mulheres.

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O medo da violência prejudica a experiência universitária das mulheres.

VERDADEIRO. O temor constante da violência limita a liberdade das estudantes, que são pressionadas a mudar rotinas, escolhas e comportamentos em busca de proteção. Há universitárias que deixam de se matricular em matérias no horário noturno, porque o campus é mal iluminado e inseguro; há as que não andam sozinhas, porque podem ficar mais vulneráveis; há as que evitam frequentar alguns espaços por medo de se deparar com um agressor.

As universidades têm políticas adequadas para lidar com a violência contra mulheres.

FALSO. Após a recente quebra do silêncio em torno dos casos de estupro na Universidade de São Paulo (USP), ficou evidente o descaso com que as mulheres eram tratadas e a necessidade de medidas para enfrentar a violência. Algumas respostas localizadas foram incluídas pelas universidades, como a criação de redes de apoio e ouvidorias, mas são medidas ainda incipientes. Para o enfrentamento da violência e de práticas discriminatórias, é necessário muito mais: universidades precisam de políticas educacionais que falem sobre gênero.

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Violência contra mulheres: quando a universidade ensina o medo

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Pesquisa aponta: para combater violência, estudantes querem gênero na sala de aula

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