Beijo lésbico na Globo

Duas senhorinhas bacanas se beijam no horário nobre, invadindo milhares de lares brasileiros. A bancada evangélica pára o pouco que faz para divulgar uma nota de repúdio e conclamar as "famílias naturais" a boicotar a novela, por "estuprar a moral". Homofobia e preconceito contra idosos são apenas dois ingredientes de um caldo que está para derramar. Na panela, também estão a intolerância, o ódio e a certeza de que o amor é para poucos.




Consideramos justa toda forma de amor. Já o Congresso, não.


 



Por que a bancada evangélica tem medo de beijo lésbico?


 



Homofobia mata. E o que preocupa a bancada evangélica é um beijo


 



Uma história de amor


 



Nota de repúdio é homofobia


 



Cartazes


 

Consideramos justa toda forma de amor. Já o Congresso, não.

Fernanda Montenegro e Nathália Timberg têm 85 anos de vida e muitos de atuação. Em uma terna cena entre mulheres que se amam, as duas atrizes deram um beijo em cadeia nacional. As redes sociais ferveram com comentários contra e a favor de todas as formas de amor. Para completar, a Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional (!) divulgou uma nota de repúdio ao beijo gay (a tal nota pode ser encontrada no Google).

Para a bancada, beijo gay é um "modismo" chamado "outras formas de amar". Nosso tema da semana tem a ver com amor. Amamos quando somos jovens e quando somos velhos. Amamos amigos, familiares, amantes e animais. Um beijo lésbico incomoda muita gente. Um beijo gay na terceira idade incomoda muito mais. Mas qual a razão do incômodo, se estamos falando de amor?

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Por que a bancada evangélica tem medo de beijo lésbico?

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Homofobia mata. E o que preocupa a bancada evangélica é um beijo

A bancada evangélica do Congresso Nacional gastou tempo e papel timbrado para compor nota de repúdio criticando um beijo de novela. Sim, parece absurdo, mas parlamentares se reuniram para discursar contra a exibição de um beijo em televisão, a cena de uma expressão de afeto entre duas personagens. Por acaso, o beijo era entre duas mulheres idosas. Qual o problema dos deputados com o amor alheio? O texto, que reclama de "ataque à família natural", de tão tolo provoca riso. Mas infelizmente a intolerância que o gerou não é inofensiva nem restrita ao mundo da ficção: estima-se que a cada 28 horas morra uma pessoa LGBT por crime de ódio no Brasil. Esse dado não é descrito pelos nobres representantes como uma “afronta aos cristãos”; o beijo terno de duas senhoras, sim.

Engana-se quem imagina que manifestações como essa nada têm a ver com a violência arbitrária e assassina vivida por pessoas LGBT. O desespero dos deputados em chamar seu rebanho a boicotar a novela é também o desespero por apagar a existência de uma forma de viver. A possibilidade de que vidas não heterossexuais sejam representadas como felizes e comuns só atormenta quem é incapaz de aceitar a igualdade. Se com essa nota podemos zombar do ridículo que é o falso escândalo de um beijo, não podemos esquecer do poder que têm aqueles que a assinam. De suas canetas também saem os projetos de leis que ferem direitos, e de seus discursos inflamados se alimenta o ódio que persegue e mata vidas fora na norma.

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Uma história de amor

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Nota de repúdio é homofobia

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Cartazes

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