O que você exibe nos adesivos do seu carro? Talvez o tamanho da sua família, seu time do coração, uma referência religiosa ou uma preferência política. Para falar de política nos adesivos, há formatos consagrados: o número do seu candidato, “Fora Fulana”, “A culpa não é minha, eu votei em Sicrano”, um símbolo de partido. Críticos da presidenta Dilma perderam o senso do razoável: querem protestar contra o aumento da gasolina com uma imagem de estupro.
Sim, estupro. A imagem é uma montagem com o rosto da presidenta e pernas femininas abertas, colada próximo ao tanque de combustível do carro, de modo que a entrada da bomba de gasolina simula penetração. Não entendeu a relação entre preço da gasolina e estupro? Nem nós. É porque o adesivo não faz crítica política, apenas reproduz violência. É uma mensagem de ódio contra a presidenta e contra as mulheres. A política é hostil às mulheres; elas ainda são poucas em cargos eletivos, e críticas a sua atuação se confundem com sexismo. O adesivo odioso é prova disso.
A política é sexista |
Ódio não é liberdade de expressão |
Violência sexista não é crítica |
Violência contra mulheres não é protesto político |
Cartazes |
Ódio não é liberdade de expressão
O adesivo da presidenta Dilma de pernas abertas é só bom humor.
Errado. O adesivo foi uma tentativa infeliz e desrespeitosa de crítica política. Quem usou, disse que estava protestando contra o alto preço da gasolina, mas a imagem da presidenta sendo penetrada sexualmente pela bomba de combustível não apresenta nenhum argumento político. O que esse adesivo mostra é a violência sexista a que mulheres que ocupam o espaço público estão sujeitas: a violência de terem seus corpos disponíveis para expressões de ódio.
Proibir o adesivo da presidenta Dilma de pernas abertas é restringir a liberdade de expressão de ser contra o governo.
Errado. As críticas e os argumentos contrários ao governo devem ser bem-vindos em uma democracia, como uma forma de participação política dos cidadãos. Mas há muitas formas de protestar contra o governo que não envolvem imagens de violência contra as mulheres. Uma boa dica para quem quer criticar mulheres na política é: faça o mesmo que é feito com os homens. Critique apenas ideias.
A liberdade de expressão política não se confunde com o discurso do ódio.
Verdadeiro. A liberdade de expressão política tem um importante papel no debate público, pois permite às pessoas expressarem suas opiniões, demandas e descontentamentos com o governo. Mas esse direito não pode servir de justificativa para um vale-tudo. Os discursos de ódio, aqueles que ofendem determinados grupos sociais, incentivam a agressão e a violência, são um limite ao debate e não podem ser aceitos.
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