Ideologia de gênero

Os Planos Municipais e Estaduais de Educação foram o alvo da cruzada conservadora nas últimas semanas. A nova invenção dessa patota é uma tal “ideologia de gênero”. O medo deles é assim: não se deve discutir gênero em sala de aula para não ameaçar a “família tradicional brasileira”. Mas as únicas coisas que queremos ameaçar ao falar de gênero são o preconceito e a violência. Ninguém nasce machista, homofóbico ou racista, e a escola é o melhor lugar para aprender igualdade.





Quem és tu, gênero?


 



Medo do gênero


 



O que é gênero?


 



Falador convidado


 



Aula de gênero: mulheres e direito de voto


 



Especialista afirma: gênero na escola pode, sim


 



Cartazes


 

Quem és tu, gênero?

Planos de educação são documentos que estabelecem metas para a garantia do direito à educação. Neste momento, estados e municípios estão debatendo os planos que valerão pelos próximos dez anos. Não temos dúvida de que os planos precisam conter metas de combate à discriminação por raça, por orientação sexual e por identidade de gênero. Assim, precisamos falar de gênero, para aprender a questionar as hierarquias entre homens e mulheres e respeitar a diversidade sexual. Mas os torquemadas organizaram a oposição: dizem que gênero na escola não pode. Chamam igualdade de “ideologia” porque querem impor desigualdade como natureza. Mas não, mulheres não devem ser submissas nem nasceram para ser mães; homens podem ser cuidadores e afetuosos, e não são seres domináveis por instintos violentos; pessoas não heterossexuais não são anormais e devem ter direitos iguais. E a escola precisa falar de tudo isso.

O que querem esses conservadores religiosos? Pelo menos duas coisas: 1 – censurar a educação, ao banir dos currículos escolares uma categoria que movimenta um vasto campo científico interdisciplinar há décadas. A ironia é que justamente a turma da censura se beneficiaria muito de umas aulinhas, quem sabe para descobrir que Marx nunca falou de gênero; 2 – impedir que escolas ensinem igualdade. Apavoram-se diante da visão de professores e estudantes aprendendo sobre a luta por direitos de mulheres, pessoas LGBT e negras, conversando sobre a diversidade das famílias, fazendo da escola um espaço acolhedor e menos violento. Mas a educação que queremos é esta mesmo: revolucionária.

×

O que é gênero?

Ideologia de gênero é uma estratégia do comunismo para destruir as famílias tradicionais brasileiras.

Errado. Olhe no dicionário, olhe nos estudos feministas. “Gênero” é só uma palavra para descrever os papéis do feminino e do masculino. Não há isso de ideologia, e Karl Marx nunca falou de gênero.

A família tradicional brasileira será destruída se falarmos em gênero na escola.

Errado. A família tradicional brasileira será mais feliz e harmônica se entendermos gênero. Discutir gênero nas escolas nos ajudará a duvidar das formas opressoras de viver o feminino ou o masculino. Mulheres não cuidarão sozinhas dos filhos, a louça será lavada também pelos homens, e as contas da casa serão pagas pelos dois. Ou pelas duas, se for um casal de mulheres.

Gênero na escola será doutrinação sexual. Nossas crianças serão gays.

Não, tudo errado. Falar sobre gênero na escola não irá obrigar as crianças a serem gays, mas mostrará que não há nada de errado em sair da heteronorma. Estereótipos, desejos e lugares designados a mulheres e homens são construções sociais. Cada pessoa deve ser livre para ser quem é, amar e ser feliz.

Gênero na escola ajudará a construir uma sociedade mais justa, pacífica e igualitária entre homens e mulheres.

Certo. Para combater as desigualdades, a escola não pode ser um espaço de manutenção de hierarquias e privilégios. Ao contrário, deve desnaturalizar o machismo, a homofobia e o racismo existentes no nosso dia a dia e na própria sala de aula. Esse é o caminho para a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e pacífica.

×

Falador convidado

×

Transcrição do video em PDF

Aula de gênero: mulheres e direito de voto

×

Transcrição do video em PDF

Especialista afirma: gênero na escola pode, sim

×

Transcrição do video em PDF

Cartazes

Cartaz 1
Cartaz 2
Cartaz 3
Cartaz 4
Cartaz 5
×

9 comentários:

A Franze disse...

No artigo, em resposta a pergunta:
"O que é gênero?"

Temos o seguinte:

"Ideologia de gênero é uma estratégia do comunismo para destruir as famílias tradicionais brasileiras.
Errado. Olhe no dicionário, olhe nos estudos feministas. “Gênero” é só uma palavra para descrever os papéis do feminino e do masculino. Não há isso de ideologia, e Karl Marx nunca falou de gênero."

Karl Marx realmente nunca falou de "gênero" na sua época essa palavra não tinha o sentido q foi dado a ela a partir da segunda metade do século XX pelo feminismo e outras "minorias" que tem estreita ligação com as "lutas" criadas pelo marxismo "cultural"

Karl Marx não falou sobre "gênero", mas, falou da família, a qual, queria sim abolir, afirmou esse desejo em diversos escritos, vou colocar aqui um deles:

Manifesto Comunista de 1848.
https://www.marxists.org/.../ManifestoDoPartidoC.../cap2.htm

"Supressão da família!
Até os mais radicais se indignam com este propósito infame dos comunistas.
Sobre que assenta a família actual, a família burguesa?
Sobre o capital, sobre o proveito privado.
Completamente desenvolvida ela só existe para a burguesia; mas ela encontra o seu complemento na ausência forçada da família para os proletários e na prostituição pública.
A família dos burgueses elimina-se naturalmente com o eliminar deste seu complemento, e ambos desaparecem com o desaparecer do capital.
Censurais-nos por querermos suprimir a exploração das crianças pelos pais?
Confessamos este crime.

Mulherio disse...

A Franze, obrigada pelo comentário. Você chegou bem ao coração do mal-entendido. Sim, é verdade que Marx criticou a família, que entendia como instituição burguesa. Veja o trecho que nos mandou: ele questiona a exploração de crianças e mulheres pela família. E sim, é verdade que gênero tem a ver com família, já que esse é um espaço importante de produção de hierarquias entre homens e mulheres. Mas daí associar gênero com Marx e comunismo para tentar provocar rejeição à igualdade nas escolas é um salto enorme e pouco honesto, não acha?

A Franze disse...

Quem não está sendo honesta é você.
Em nenhum momento do meu comentário eu fiz qualquer menção em rejeição e igualdade nas escolas.
Essa tua "interpretação" é um absurdo.
O meu comentário tem uma única finalidade, refutar o que foi dito no artigo: ""Ideologia de gênero é uma estratégia do comunismo para destruir as famílias tradicionais brasileiras. Errado".

Quem está errado é quem disse "Errado".

Pois o comunismo (Karl Marx) sempre quis destruir a família, e o feminismo tem estreitas ligações com o marxismo.

Mulherio disse...

A Franze, que bom que você não rejeita a igualdade nas escolas. Isso significa que estamos juntos nesse debate. Mas vamos lá: a frase que comentamos no blog tem sido usada amplamente por quem rejeita as propostas de debate sobre igualdade de gênero nas escolas, e foi justamente por isso que decidimos problematizá-la. Vemos nela pelo menos dois problemas: o primeiro é esse sobre o qual estamos conversando, a associação frágil entre Marx/comunismo e o que se está chamando de ideologia gênero. O fato de Marx e os feminismos falarem de família é uma ligação rasa para permitir a afirmação de uma "estratégia comunista". E veja que sim, há feminismos que têm ligações com o marxismo, assim como também há feminismos com ligações com o liberalismo - há vários feminismos em diálogo com varias correntes políticas.

O segundo problema da frase, além da incorreção teórica, é afirmação de que o que se está chamando de "ideologia de gênero" quer a destruição de famílias. Se Marx queria abolir a família burguesa, o debate sobre igualdade de gênero nas escolas pede muito menos: que crianças, adolescentes e professoras possam conversar sobre famílias, problematizar as violências que ocorrem na casa, especialmente contra crianças, mulheres e pessoas LGBT e trabalhar juntas por uma educação para a igualdade. Não nos parece que isso vá destruir as famílias - pelo contrário, a chance é que ajude-as a se tornarem mais afetuosas, diversas e pacíficas. Obrigada por seguir conversando conosco.

A Franze disse...


olá

Não é que eu "não rejeito a igualdade nas escolas", eu disse que no meu comentário eu não tinha feito nenhuma menção a isso.
Qto a igualdade nas escolas, eu fui na escola, e nunca notei nenhuma falta de igualdade nelas, os seres humanos são seres diferentes uns dos outros, cada ser humano tem uma personalidade única e um único DNA.
Qto a igualdade de "gênero"... eu prefiro usar o termo correto: igualdade de sexo. Isso é óbvio que deve existir, alias, já existe, perante a Constituição brasileira todos são iguais sem nenhuma distinção.
Eu sou favorável ao que diz a Constituição: todos são iguais perante a lei.

Para encerrar o assunto Marx, comunismo, família e feminismo, minha opinião é q Marx, que era o chefe dos comunistas na época dele, queria sim destruir a família (avô, avó, marido, esposa, filho, filha) pq no comunismo isso não existe, é o estado q cuida da "educação" e de tudo mais. Qualquer pessoa q simpatize com Marx apoia isso.




Mulherio disse...

A Franze, que bom que você não viu desigualdade na escola que frequentou. Mas ela existe, e afeta especialmente estudantes LGBT, estudantes negros e meninas, que enfrentam hostilidades e até violências, que são barreiras para que concluam estudos e tenham bom desempenho na escola. Há dados sobre isso, se quiser buscar. Veja uma matéria que talvez interesse: http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2011-12-10/unesco-vai-lancar-documento-com-orientacoes-para-paises-combaterem-homofobia-nas-escolas

Ficamos felizes por estamos juntas com você na luta por igualdade. Continuaremos chamando de igualdade de gênero, mas não se preocupe, é apenas um termo que nos ajuda a questionar papeis atribuídos a homens e mulheres. É uma ferramenta para pensarmos como chegar à igualdade, que é nosso objetivo comum.

Respeitamos sua opinião sobre Marx, é seu direito tê-la. Discordamos porque, como já conversamos aqui, nos parece que o debate é mais complexo. Mas ficamos contentes de tê-lo aqui conversando conosco. Obrigada pelo bate-papo.

A Franze disse...

O que existe nas escolas não é desigualdade...
Enquanto vcs "enxergaram" a coisa dessa forma vcs não vão chegar a lugar algum.
O que existe nas escolas é o que atualmente se chama "bullying".
E é um erro grave achar q só LGBT, negros e meninas são as vítimas.
As vítimas são todos q demonstrarem alguma fraqueza ou defeito, seja físico ou intelectual, até alguém q não enxerga bem é motivo de "desigualdade"...

E tem mais, dificilmente bondosas pessoas externas ao problema vão conseguir resolvê-lo... é a pessoa q tem q resolver, eu resolvi o meu, "cara a cara" com o fdp q queria me humilhar, nunca mais ele tentou novamente.

Vc pode continuar a chamar de desigualdade de "gênero", a única coisa q vai acontecer é q por vc estar tratando o assunto de forma irreal, vc não vai conseguir nada. O q diferencia o homem da mulher é unicamente o: sexo.

Marx não é complexo, eu li quase tudo de Marx, inclusive o q quase ninguém lê dele, as cartas a companheiros e os panfletos secretos, Marx era apenas mais um mau caráter mais esperto que os outros, e cínico assumido, morreu solitário e desconhecido, foi ressuscitado pela URSS e sua popularidade atual é pq existem muitos iguais a ele.

Valeu pela conversa.

Mulherio disse...

Caro A Franze, obrigada pela conversa. Sempre vale trocar ideias. Sentimos muito que tenha sofrido na escola, mas obrigada por ter dividido sua história conosco. Aqui é também um espaço para trocarmos formas de resistir à desigualdade, ao bullying, à violência.

A Franze disse...

Obrigado!
Desejo sucesso a vcs.