Um caso de horror: quatro meninas violentadas, agredidas, espancadas e jogadas de um penhasco no Piauí. Uma delas morreu. O estupro é um medo cotidiano das mulheres. Nesse caso, o medo é multiplicado: várias vítimas juntas, e um grupo de homens que se reuniu para violentar.
Para quebrar o silêncio do horror |
O que há de coletivo no horror? |
A moral patriarcal é coletiva |
Meninas de corpos descartados |
Homens saqueadores de corpos de mulheres |
Cartazes |
Para quebrar o silêncio do horror
Houve uma onda de silêncio sobre o crime brutal cometido por cinco homens contra quatro jovens mulheres em Castelo do Piauí. A quietude tem pelo menos dois sentidos: o do horror que emudece e o da distribuição desigual do que deve ser notícia para todo o país. Decidimos juntar nossas vozes para quebrar ambos os silêncios.
O espanto diante dessa violência está não apenas na crueldade, mas também no bando. Vários homens violentaram e torturaram as quatro vítimas. O coletivo do estupro está em todas nós: precisamos falar do regime de apropriação masculina dos corpos das mulheres.
×A moral patriarcal é coletiva
Na cidade de Castelo, no Piauí, quatro adolescentes foram espancadas, torturadas, estupradas e jogadas de um penhasco por cinco homens. O horror do crime ganhou ainda mais intensidade com a morte de uma das vítimas, Danielly Rodrigues Feitosa, dias depois. A brutalidade da violência provocou demandas por punições severas aos agressores, chamados de monstros. Entender o que causa um crime tão terrível é muito difícil, mas olhar o cenário brasileiro pode trazer algumas pistas. A totalidade de estupros que ocorrem no país ainda é desconhecida, mas, segundo o IPEA, em 2011 o SUS notificou 12.087 casos de estupro; em 88% deles, as vítimas eram mulheres. Estima-se que o número de casos que não chegam a ser notificados seja muito maior. A magnitude da violência sexual assusta e dá números para mostrar que a violência contra mulheres é mais cotidiana do que o noticiado, e que os agressores são homens comuns — não monstros.
O estupro coletivo que aconteceu no Piauí está ancorado em uma ordem moral que não se resume ao ato individual de homens agressores. É no marco do poder patriarcal que subalterniza mulheres que essa violência deve ser compreendida. O patriarcado tem implicações tanto na vida de homens como na de mulheres A socialização diferenciada do gênero ensina às mulheres o temor constante da violência e ensina aos homens que, para ser macho, é necessário demonstrar força física e capacidade sexual. É dentro desse marco de poder que o uso e abuso dos corpos de mulheres estariam autorizados, seja em práticas cotidianas, como o fiu-fiu das ruas, seja na brutalidade do estupro. Para que outros crimes como o de Castelo não ocorram mais, a saída não é apostar na força do direito penal. Isso não quer dizer que o crime deva ficar impune, mas que precisamos de bem mais que cadeia para pôr fim ao cenário de violência. É preciso construir um mundo em que os corpos das mulheres não estejam disponíveis à apropriação dos homens.
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2 comentários:
Adimiro as postagens de vocês!
Adimiro as postagens de vocês!
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